quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A era do "Eu"


 Alguém pode me lembrar, ou melhor, alguém pode me mostrar como eu faço pra me conhecer? Eu tento, reflito, eu procuro me definir, mas meus atos sempre parecem impulsivos, por mais previsível que eu pareça ser. Acho que tenho poucas oportunidades de estar só com a minha mente pra entender o que eu penso. Somos sempre exigidos a refletir sobre o mundo, sobre o próximo, sobre a natureza, a crise econômica, a fome na África, o almoço do dia, o clima de hoje, o dia de amanhã, o fim do mundo, o filme que acabei de ver, o livro que li, a aula, o trabalho, a vida, a morte...São tantas coisas, e o "eu" fica ali, no cantinho da mente, sempre desconhecido, sempre uma página em branco, que você escreve com atos e escolhas, mas nunca com palavras.
 Talvez não seja necessário saber dizer quem eu sou, talvez o eu seja feito pra mudar o tempo todo, e que cada vez que eu enuncio quem sou eu, aquilo se torne externo a mim, e eu passe a ser aquilo que disse, simplesmente porque disse, então assim será, serei condicionado por mim mesmo a ser aquilo que acho que sou, mesmo que novas circunstâncias me obriguem a mudar. O eu não passa de um vento, é uma sensação etérea e mutante, uma transição constante de mentes dentro de um mesmo corpo, que nunca deve ser materializado, pois faz parte do eu ser assim, flexível!
 Pessoas duras demais envelhecem cedo demais, pois o eu não consegue acompanhar o vento do tempo, a mudança eterna do mundo, ao contrário, elas param como estátuas, e como todo mundo sabe, o tempo, o vento, não pára, e ele vai passar por você, e se você ficar parado o atrito vai te desgastar, vai te definhar, e um dia ele vence e você quebra, pois a dureza da alma é a coisa mais frágil que um homem pode ter. As pessoas flexíveis, pelo contrário, vão ao sabor do vento. Ser flexível não é ser fraco, talvez sejam até mais fortes, pois saber a  hora de mudar, de se moldar a uma situação para não sofrer e não fazer com que os outros sofram, talvez seja uma das maiores virtudes e talvez uma das mais difíceis de se adquirir. Admitir que tem algo errado em si mesmo é uma tarefa tensa e pesada. Mais difícil ainda é admitir e então mudar!
 Quantos "eus" em mim já foram criados, mudados, transformados, mutilados talvez, eu já não sei. Cada pessoa e situação acrescenta algo em nós, por pior que seja nunca saímos diminuídos de uma relação. Cada mentira que ouvimos, cada lágrima que derramamos, cada mão que nos toca, seja para machucar ou afagar, criam um novo eu, uma nova pessoa capaz de pensar novas coisas, e passar por outras situações, mais difíceis e desafiadoras do que as anteriores.
 Então como posso determinar o que me agrada, quem eu quero ao meu lado, e o que eu não desejo viver, se não sei em que eu vou me transformar no próximo segundo?! Tenho o direito de estagnar e privar o nascimento do próximo eu?! O segredo talvez seja não se ater tanto às preferências e limitações, Elas não vão ser as mesmas daqui a um tempo de qualquer jeito.Pense no agora, quem eu sou agora, o que eu gosto, o que eu quero, o que eu não preciso. Não ame essa pessoa demais, apenas lhe tenha lealdade, pois você não vai ser ela por muito tempo, mas vai precisar continuar leal quando for a hora de mudar.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Pra comemorar!


Uma noite, a linha fina
a tênue vida que se finda
como a noite que termina

Fogos coloridos e um abraço
Sete ondas e mais um passo
Uma rosa branca para o mar
Comemora minha gente
Nossa vida vai mudar!

E na taça as várias bolhas
Estouram como as bombas
e as granadas, pra lá de Bagdá
Pra lá do Alemão
Pra lá da Palestina
E eu vou comemorar!

O meu mundo quase chora
Com o menino que implora 
um dinheiro pra comer, três tapas do policial
Uma arma pra viver e um espaço ali pra ver
lá no Farol de esperança um pedacinho do mar
que reflete bem bonito, a beleza do primeiro sol
O primeiro do ano...
Vamos comemorar!

Meu coração estava cheio
Amei você por inteiro e só fiz sofrer
Beijei na meia noite e agora não te amo mais
Chorei por 365 sois, cantei pra 365 luas
Se soubesse que era só esperar acabar esse dia
Até mais te amaria, até mais sofreria
Porque é fácil esquecer
E comemorar, agora é só comemorar!

Comi três pratos de lentilha
Ouvi aquela musiquinha
"Hoje é um novo dia"
Mas o sol raiou sangrento
A Terra continua rachando por dentro
A floresta pega fogo e o mar se revolta

Noite hedônica que acaba
E a satisfação que fica
é de perceber que nada termina
Sou poeira das estrelas
Eu sou o início de cada vida
Me chame qualquer dia e estoure um champanhe
O mundo vai continuar como está

E um dia lamberei o sal da Terra
Amansarei a densa fera
Vou parar enfim de dançar
e nenhum fogo de artifício vai marcar esse inicio
E o mundo vai ser o mesmo
Como é igual todo 1º de janeiro.
 



 




terça-feira, 14 de dezembro de 2010

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Eu sou...

Eu sou muito mais que pescador de ilusões
Sou catador de sonhos
Levanto as bainhas, me enfio na lama
Parei de esperar a isca e o anzol
Sangrei os dedos, olhos,coração e mente
Segurei os pingos d'agua que insistiam em escorrer
Meus joelhos já não doem mais
porque ja não mais os sinto
É o meu fardo, é a minha obrigação
Catarei os sonhos
Os agarrarei por mais pesados que sejam
Até me afogar e descobrir
que os sonhos são eternos
e que nós somos suas maiores iscas,
que alimentamos um cardume de ilusões.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

A batalha do gladiador


Protagonista de 'Spartacus' deixa a série para cuidar de um câncer

Linfoma foi diagnosticado pela primeira vez em março deste ano



O ator Andy Whitfield não voltará à série "Spartacus: Blood and Sand" devido ao ressurgimento de um câncer que exige um tratamento agressivo, segundo anúncio da emissora de TV publicado no site da revista "People". O câncer, um linfoma, foi diagnosticado originalmente em março.

"É com grande sensação de desapontamento que tenha de me afastar de um projeto tão sensacional quanto 'Spartacus' e de todas as pessoas maravilhosas nele envolvidas", declarou o ator em um pronunciamento divulgado na mesma nota. "Parece que é o momento para que eu e minha família embarquemos em outra jornada extraordinária."


O canal Starz ainda não confirmou o cancelamento da série, o que na minha opinião é o mais certo a se fazer. A série sobre a história antes de Spartacus: Blood and sand no entanto está confirmada para 2011. Boa sorte pro Andy Whitfield, e se possível sua cura e seu retorno para completar esse seriado, que com continuação ou não já marcou época.  

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

"Step by step



    
heart to heart
       left right left
        We all fall to down

                      like toy  Soldiers"

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Contos de Modernidade- Sobre o Fim


O clarão que anuviou a minha visão ainda projetava floreios brancos de luz à minha volta. Detritos e fumaça se misturavam ao caos de estrelas e poeira. Nunca em tanto tempo de existência, vi algo tão belo e tenebroso quanto o que acabei de presenciar.

O homem estava na sua mais perfeita forma, os sentidos impecáveis, a tecnologia alcançara patamares inacreditáveis de evolução, mas nada disso pôde impedir o que aconteceu. Se algum tipo de ser ou criatura quiser algum dia saber o que aconteceu naquele pontinho do universo, terá somente o pó para responder.

Na verdade eu já estava morto quando tudo aconteceu, não sei bem quando morri, nem me lembro como, mas sei que foi a pelo menos 500 milhões de anos. Não me pergunte por que ainda estou aqui, simplesmente morri e o famoso túnel com a luz ao fundo não apareceu. Com o passar do tempo as pessoas que eu conheci se perderam em algum lugar da minha mente, assim como eu me perdi para o mundo. Antes de partir eu imaginava a morte como um momento de eterna paz, onde encontraria aqueles que já teriam partido, aproveitaria os ônus de ter sempre vivido de forma simples e tranqüila, sem nenhum ato de maldade significativo contra ninguém, mas fui simplesmente reduzido a uma subvida, condenado a vagar pela Terra como um expectador, sem jamais ser visto, ouvido, sem nunca mais ser notado.

Tantos milhões de anos se passaram e eu jamais encontrei alguém na mesma situação que eu. No início imaginei que teria uma missão, algo não terminado, procurei todos que conhecia, tentei entrar em contato, só consegui descobrir que todos os médiuns são nada mais que charlatões. Percorri por tudo nesse planeta, conheci desde as florestas siberianas até o topo do Himalaia, desde as casa mais pobres no centro da África, mansões em Mônaco, bombas e tiros no Oriente Médio. Vi países se desfazendo, outros se formando, terríveis desastres ambientais, guerras e mais guerras. Fui também observador da descoberta de curas para doenças consideradas incuráveis, e também o surgimento de avassaladoras epidemias. Mas por mais que eu visse, por mais conhecimento adquirisse, por mais vontade que eu tivesse de sumir finalmente, nada aparecia para me salvar, nenhuma mão se estendia para me regatar da minha própria existência.

Procurei espiar as mais altas autoridades em tecnologia do mundo a algumas centenas de anos atrás, tentar descobrir se eles tinham algum modo em que pudesse contatá-los. Com isso descobri algo que quando era vivo sabia que algum dia ia acontecer. A Terra estava com seus dias contados, em pouco tempo, algo como cem ou duzentos anos (para mim, menos de um segundo) o Sol terminaria suas atividades e a Terra assim como todos os planetas do sistema solar seriam engolidos pela terrível explosão que ocorreria devido à morte da nossa Estrela maior. Não podia haver melhor notícia que essa para mim, tudo estaria terminado, a minha tortura, ou castigo seria finalmente finalizado junto com toda a vida. Por mais que eu nunca imaginasse que estaria aqui para ver isso, era um alívio tamanho para mim, era como se estivesse prestes a tirar um cochilo depois de dias e dias sem dormir.

Aqueles vivos que fizeram essa descoberta secretamente começaram projetos para fugir antes que o inevitável acontecesse. Duas coisas eram consideradas, pelos cientistas, como as maldições da humanidade: a morte e a prisão dos homens na Terra. Isso porque eles nunca conseguiram reverter a morte, ou ao menos contatar alguém como eu, que já havia passado por ela. Também nunca tinham conseguido colonizar nenhum outro planeta, ou chegar a outros sistemas solares, o que prendia o homem àquele planeta que insistiam tanto em maltratar.

Diziam os mais religiosos que Deus havia feito a Terra para o homem e o homem para a Terra, que daqui Ele jamais permitiria que saíssemos.

Quando era inevitável divulgou-se o fim da Terra. Os mais ricos compraram seu bilhete para a vida em espaçonaves de capacidade planetária, que decolariam pouco antes da grande explosão em busca de um novo lugar para morar. Tantos outros se suicidaram ou cometeram loucuras por saberem que o fim estava próximo. Começou uma guerra monstruosa, a mais destrutiva de todos os tempos, onde se disputava quem estocaria mais recursos para viver fora daqui. Em pouco tempo as mega espaçonaves partiram, e só restaram aqueles pobres ou considerados sem importância para a prosperidade. Quem ficou passou a viver como animal, sem perspectiva de amanhã, sem alguém que pusesse controle e organização à situação, pois ninguém aceitava mais ser controlado.

Até que o processo começou. Foi aos poucos, a temperatura subiu gradativamente, e os seres morreram aos poucos, sobrando, perto do fim definitivo, somente a mim e as baratas. Até que um dia um clarão veio ao longe, havia fumaça por todos os lados, e tudo pareceu tão frágil, desintegrando-se como papel no fogo. Eu finalmente suspirei aliviado, era o fim de todo o meu sofrimento, de uma existência sem sentido, não queria que houvesse mais nada depois daquilo, só queria simplesmente deixar de existir!

A luz foi intensa demais e o clarão ficou na minha frente por muito tempo, por mais que tentasse fechar os olhos era só o branco à minha vista. Não sei quanto tempo fiquei daquele jeito. Mas pedia com todas as minhas forças que estivesse em um processo de destruição.

Finalmente recuperei minha visão, mas continuei com os olhos fechados, com receio do que estaria na minha frente. Talvez um homem barbudo, todo de branco, seres com asinhas, mesmo se fosse um chifrudo com um tridente eu o daria um abraço como se fosse um irmão. Mas não foi nada disso que me apareceu. Havia somente destroços, muita poeira. Eram as naves que partiram da Terra, pelo visto eles não tinham ido longe o suficiente para que não fossem atingidos pela grande explosão. E toda a humanidade se reduziu àquilo, pó!

Como uma maldição, a pior de todas as maldições, eu vago pelo universo, pelo espaço vazio, mais solitário que nunca. Impossível existir criatura mais desesperançosa e mais fatigada que eu, com um interminável buraco negro como destino.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Amor de corpo


Te trago como a um cigarro
ponho-te entre os lábios e me vicio
Seu suor mistura-se com a minha saliva
Cada fluído do seu corpo se torna agridoce

De repente vejo minhas mãos e não as reconheço
o entrelace de dedos na qual se transformaram
Tais olhos tão fixos que já não sei mais de quem são
os meus nos seus refletidos ou os seus nos meus
pedindo silenciosamente o prazer

Minhas expressões se traduzem em gemidos
e meus pensamentos saem de outra boca
Algo assustador deveria ser não reconhecer-me
mas, no êxtase, sou outro
Sou você
Sou enigma
Decifra-me ou devoro-te!

Naquele momento amo, um amor singular
que prende meu o espírito ao corpo
Amor que despejo no nosso gozo
Sentimento tão dividido quanto egoísta
É como eu amo... sem amar





domingo, 22 de agosto de 2010

Contos de Modernidade- Sobre a família


Era noite de um dia útil, o apartamento estava silencioso como se não houvesse ninguém, exceto pelo barulho do chuveiro de uma das suítes. Aquela casa era o lar de uma família grande, formada por três filhos, o mais velho com vinte e dois anos, a moça do meio com vinte e o mais novo com onze anos, além do pai e da mãe. Naquele momento o mais novo estava no quarto fazendo o dever de casa no quarto dele, enquanto o mais velho tomava banho no outro quarto para jantar e sair para alguma festa.

A porta da frente se abriu, o pai chegou carregando sacolas de supermercado. Jogou um molho de chaves na mesinha de centro da sala de estar e se dirigiu à cozinha. Desempacotou duas lasanhas semi-prontas e uma garrafa de refrigerante de laranja, pôs o refrigerante no congelador e a lasanha no microondas. O filho mais novo entrou na cozinha e perguntou:

-Cadê a mamãe? Tô com fome.

O pai, sem olhar para o filho , respondeu enquanto pegava um copo d’agua:

-Ainda tá no trabalho, disse pra jantarmos sem ela.

O filho deu as costas, e foi correndo para o escritório jogar vídeo-game. O pai se dirigiu ao maior quarto da casa, onde sentou na cama, retirou os sapatos e meias, foi até a suíte, tirou as roupas, olhou-se no espelho grande acima da pia. A barriga continuava saliente apesar de correr na esteira todos os dias, provavelmente por causa da cerveja diária com os amigos. Nos cabelos ele dera um jeito, pintou-os de preto, e aprendeu um penteado na internet que disfarçava a pequena careca na testa. Tomou uma ducha rápida, pôs uma bermuda e uma camiseta e foi retirar a lasanha do microondas. Foi então chamar o filho no escritório:

-Se quiser jantar, a lasanha ta pronta.

O filho não respondeu, estava com os olhos vidrados e coloridos na frente da TV. O pai sabia que ele tinha ouvido, e foi chamar o filho mais velho. Abriu a porta do quarto e ele estava deitado na cama, somente de toalha, falando com alguém no celular.

-Se quiser jantar, já está pronto.

O filho só abanou a mão pra ele fechar a porta, respondendo “Ok,ok” e o pai saiu, sem saber se o filho havia falado com ele ou com o celular.

O homem colocou os pratos na mesa, a lasanha no centro, sentou-se e começou a se servir. O mais novo chegou correndo como sempre. Sentou-se na mesa, e serviu-se de um pedaço pequeno, pondo no canto do prato coisas que não gostava na comida. O mais velho chegou, ainda de toalha, os cabelos um pouco molhados. Já era maior e mais forte que o pai, com o corpo talhado pela academia, era mais vaidoso que a mãe e a irmã.

-Poxa, lasanha de frango de novo? Ontem você comprou o mesmo sabor!- Disse ele olhando com ar de repulsa para a comida.

-Hum, foi mesmo? Esqueci. Não lembro o que eu comi no almoço.

O filho fez um muxoxo, serviu-se de um pedaço enorme, e começou a comer rápido.

Enquanto comiam, a porta da sala se abriu. A mãe havia chegado:

-Boa noite crianças. –Disse ela enquanto dava um beijo na cabeça de cada um, e um beijo no marido. Todos responderam com grunhidos, por estarem com a boca cheia.

Ela foi até o quarto, deixou a bolsa e o blazer e voltou para a mesa de jantar.

-Vocês esqueceram da irmã de vocês?

O pai bateu com a mão na testa. Havia esquecido que tinham combinado de jantar com a filha.

-Bom, espero que ela ainda esteja lá!- Disse a mãe correndo até o quarto. Voltou com um notebook nas mãos, abriu-o na ponta da mesa e conectou em um programa. Em poucos minutos a filha aparecia na tela do computador. Ela estava a um ano trabalhando na Europa, e sempre que podia jantava com a família.

Todos acenaram para ela, e a mãe se sentou ao lado do computador. Comiam calados, cada qual absorto em pensamentos e problemas.

O filho quebrou o silêncio. Estranho que cada vez que isso era feito na casa era como se uma onda de estranhamento se espalhasse por todos.

-Mãe, você ainda não me deu a minha mesada. Tenho que sair hoje e to sem dinheiro.

-Usa o cartão de crédito.- Respondeu a mãe.

-Tá bloqueado, você não pagou ainda.- Falou enquanto tomava um gole do refrigerante.

-Ai meu Deus, é tanta coisa pra eu pagar! Você podia dar um dinheiro pra ele de vez em quando não é?- Falou ela olhando para o pai, que quase não notara que ela se referia a ele.

-Tô sem dinheiro nenhum, se quiser posso arranjar amanhã.

-Como sempre. Eu tenho que me apertar pra sustentar tudo, e você pra ficar no seu eterno happy hour.-Falou a mãe com a voz estridente e irritada.

Era o início de mais uma discussão na casa, que aconteciam rotineiramente, e geralmente pelos mesmos motivos.

O filho mais novo começou a gritar e fazer barulhos, estratégia para não ouvir as discussões dos pais.

-Se você continuar gritando eu vou te dar uns tapas.- Gritou o pai

-Não grite com ele, vai traumatizá-lo! E se encostar nele eu chamo a polícia.- Gritou a mãe abraçando o filho menor que estava ao seu lado.

O pai engoliu um pedaço grande da lasanha, o rosto em chamas, o filho mais velho revirou os olhos, e o menor ficou ali parado, olhando para o prato. O mais velho levantou-se da mesa, e saiu, em poucos minutos todos haviam terminado. A filha mais velha falou pelo notebook:

-Adorei o jantar família, depois nos falamos, tenho trabalho a fazer agora. Mil beijos.- E desligou a câmera do computador.

O pai foi até o quarto onde ficou assistindo um filme de ação e explosões. A mãe ficou trabalhando no notebook até mais tarde na sala , o mais velho saiu de casa, bem arrumado, e só voltou próximo ao amanhecer. O filho mais novo foi terminar seus intermináveis deveres de casa.

O silêncio foi restaurado naquela casa. Tarde da noite os pais fizeram sexo, ela gemeu um pouco, ele revirou um pouco os olhos. Depois se viraram e dormiram, tinham compromisso de manhã cedo.

Todos foram dormir tranqüilos, mas como toda noite a mente deles emitia um alerta: estava faltando algo...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

[Crônica] Fechado para balanço


Me encontro em um quarto branco, estou sentado de pernas cruzadas, encarando o teto também branco, completamente liso. À minha frente tem uma parede, ela é transparente e o mundo está por trás dela. No momento ele passa por uma fase de transição, provavelmente uma primavera,que esquenta aos poucos após uma longa temporada de inverno. A parede é transparente, eu posso ver tudo por trás dela, mas sua película me impede ser visto ou ouvido. Como um cárcere passo os dias ali, na minha vontade de me isolar, procuro as tintas certas pra pintar as paredes daquele quarto, mas nenhuma é boa o suficiente, nenhuma me inspira o suficiente pra transformar essa fria primavera em um esplendoroso verão. Nesse momento não tenho voz, mas de vez em quando ela retorna, sai rouca e pouco expressiva, prefiro então me calar.
De vez em quando pareço maior que o mundo por trás daquela parede, vejo os lugares e pessoas tão pequenos, poderia dominá-lo facilmente, conhecer cada canto seu. Nesse momento correntes grossas me prendem à grandes e pesadas pedras, que gritam intensamente como se prontas a estourar meus tímpanos, elas querem ser lidas e decifradas, reduzidas a pó pelas minhas unhas e olhos.
Línguas de fogo lambem o quarto por fora, depois é enevoado pelo gelo, e um dilúvio ameaça invadir meu refúgio, já na altura do teto, mas nada me atinge, estou cristalizado, escoltado contra tudo. Nada é forte o suficiente para me mobilizar, muito menos para me destruir.
O tempo passa e os pêlos no meu rosto demoram pra crescer, meus cabelos se enrolam mas caem devagar, as roupas aos poucos se apertam sobre meu corpo. Uma mudança está se consolidando, uma segunda pele se forma e a antiga sucumbe, escorrendo, limpando os resquícios de lodo e piche que sujavam o chão. Nesse momento sou disforme, sou metamórfico, sei simplesmente no que não quero me transformar. Por isso ainda não me levanto, não pinto o quarto, não moldo a porta para sair dali. Mas eu sei o momento certo, um relógio com uma estranha forma me mostrará, ele baterá mais forte assim que formular meus reais objetivos. Ele tem a forma do meu coração.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ciclo sem fim


Primeiro e único filme que me fez chorar =P
Toda criança deveria assistir. Um filme que passa de modo eficaz para a criança uma lição que até mesmo adultos tem dificuldade em aprender, que é o ciclo da vida e a necessidade de se recuperar e se renovar sempre!

domingo, 1 de agosto de 2010

Glee-Talentosos perdedores


De uma coisa eu tenho certeza, todos querem ser famosos. Quem não quer é porque já é. A fama de certa forma é a concretização de que aquilo que você se dedicou a fazer está sendo feito de forma correta, ou pelo menos está agradando às pessoas. Não digo com isso que quem não é famoso seja necessariamente incompetente, ou que quem é famoso seja uma pessoa brilhante, mas que independente do que você faça, se você se torna conhecido por aquilo é porque, de certa forma, algo certo está sendo feito. Você pode estar pensando "E aqueles imbecis do BBB que ficam famosos sem fazer nada, ou as mulheres frutas, além de outras peças raras como bandinha Restart, Latino, Dado Dolabella, Luciana Gimenez, entre muitos outros exemplos?". Quanto a isso eu respondo: Cada país, assim como políticos, tem as celebridades que merece. Algo eles fazem pra chamar a atenção de algumas pessoas nesse país.
Bom, desde o início do ano eu venho acompanhando uma série que não fala necessariamente de fama, mas que aborda o talento e o que é necessário pra se chegar 'lá'. Com certeza a maioria das pessoas ja ouviu falar de Glee, série norte-americana exibida pela FOX, ganhou vários prêmios EMMY's ano passado, e está concorrendo a muitos outros esse ano. A mensagem da série é bem simples, não julgue as pessoas pelo que elas parecem ser, pois todos tem coisas boas e ruins pra mostrar, por mais perdedora que ela pareça ser. Acho que o sucesso que a série vem tendo não se deve somente pelo carisma dos personagens, pelas músicas muito bem interpretadas ou pelo humor, até um pouco imbecil de vez em quando. Eu acho que o sucesso se deve principalmente pela identificação que as pessoas tem com os personagens da série. Todos, assim como os personagens na série, buscam ser aceitos, ser reconhecidos pelos seus talentos, querem a redenção das celebridades diante de todo o sofrimento que passaram por se sentirem muitas vezes deslocados.
Uma prova disso são alguns videos que eu encontrei em uma comunidade do orkut sobre Glee (Glee-Downloads), em que as pessoas cantam músicas interpretadas na série. Fiquei impressionado com o talento de algumas pessoas, que cantam muito melhor que muitos cantores que estão na moda ultimamente. É óbvio que não dá para todos serem celebridades, mas o legal é que atualmente é possível pra todos terem seus 15 minutos (ou menos) de fama, por isso eu escolhi,com a opinião de um simples admirador de música, aqueles que eu considerei muito bons, e que não me impressionaria se fossem profissionais.

Obs.: São todos brasileiros

Top 5:

1º- Take a bow (Rihanna)


Ps.: também recomendo video, da mesma menina, cantando Use somebody -Kings of leon

2º- Defying gravity ( Musical "Wicked")

3º-Total eclipse of the heart (Bonnie tyler)

4º-Maybe this time (Tony Bennet)

5º- Highway to hell (AC/DC)
ps.: Achei a voz dele bem parecida com a do Bon Scott, mas cantar rock sem instrumental é dose...


terça-feira, 27 de julho de 2010

"A Boy Named Sue"

Uma música muito boa e divertida do Johnny Cash, um artista que foi brilhante!
Minha dica pra quem ainda não conhece.




A tradução pra acompanhar:

Um garoto chamado Sue

Bom, meu pai saiu de casa quando eu tinha 3 anos,
e ele não deixou muita coisa para mamãe e nem para mim,
Só este velho violão e uma garrafa vazia de bebida.

Agora eu não o culpo porque ele fugiu e se
escondeu,
Mas a coisa mais malvada que ele já fez,
Foi antes de partir, quando ele veio, e me chamou com o nome de Sue.

Bem, ele deve ter achado que era uma piada,
E isso deu em muitas risadas de um monte de amigos,
Parecia que eu tinha que lutar a minha vida
inteira.

Alguma namorada poderia rir e eu ficava vermelho,
E um cara riu e eu quebrei a cabeça dele,
Eu tenho que lhe dizer, a vida não é fácil para um
garoto chamado Sue.

Eu cresci rápido e cresci malvado,
Meu início foi difícil e meus movimentos tornaram-se
mordazes,
Eu vaguei de cidade à cidade para esconder minha
vergonha.

Mas eu me fiz um juramento para a lua e as
estrelas,
Eu procuraria os bordéis e bares,
E mataria aquele homem que me deu aquele nome
horrível.

Bem, era Gatlandburg em meios de junho,
Eu mal cheguei na cidade e minha garganta estava
seca,
Pensei: eu vou parar e tomar uma bebida.

Num velho saloon numa rua de lama,
Ali estava numa mesa sentado,
O cachorro imundo e sarnento que me chamou de Sue.

Bem, eu soube que aquela cobra era meu doce papai,
Através uma uma foto velha que minha mãe tinha,
E eu conhecia aquela cicatriz no seu rosto e seus
olhos maus.

Ele era grande e curvado, e grisalho e velho,
E eu olhei pra ele e meu sangue gelou, e eu disse,
"Meu nome é Sue! Como você vai? Agora você
morrerá!"
Sim, isto foi o que eu disse a ele.

Bem, eu o acertei forte no meio dos olhos,
E ele caiu, mas para minha surpresa,
Veio com uma faca e cortou fora um pedaço da minha
orelha.

Eu quebrei uma cadeira atravessando seus dentes,
E nós quebramos a parede e saímos na rua,
Chutando e socando na lama e no sangue e na
cerveja.

Eu lhe digo que eu lutei como um homem forte,
Mas eu realmente não consigo lembrar quando,
Ele chutou como uma mula e mordeu como um
crocodilo.

Eu o escutei rindo,
Ele foi pegar sua arma mas eu peguei a minha
primeiro,
Ele ficou lá olhando para mim e eu o vi sorrir.

A ele disse, "Filho, este mundo é cruel,
E se um homem quer viver tem que ser durão,
E eu sabia que não poderia estar lá para lhe
ajudar.

Então eu lhe dei esse nome e disse adeus,
Eu sabia que você teria que se endurecer ou morrer
E foi esse nome que lhe ajudou a ser forte.

Agora você só lutou uma luta idiota,
E eu sei que você me odeia e você tem direito,
De me matar agora e eu não o culparei se você o
fizer.

Mas você tem que me agradecer antes de eu morrer,
Pela pedra no seu estômago e pela cuspida no seu
olho,
porque eu sou o filho da puta que te chamou de
Sue".

Bem, o quê eu poderia fazer, o quê eu poderia
fazer?
Bem, eu fiquei sem ar e joguei minha arma fora,
O chamei de pai e ele me chamou de filho,
E eu voltei com um ponto de vista diferente.

Eu penso nele agora e sempre,
Toda vez que eu tento e toda a vez que eu ganho,
E se eu tiver um filho,
Eu acho que o chamarei de,
Bill ou George, qualquer coisa menos Sue!
Eu ainda odeio aquele nome!

terça-feira, 20 de julho de 2010

[Conto] Amigo estou aqui...


Era uma tarde chuvosa de agosto, estávamos os quatro naquele quarto, que apesar de bem ornamentado parecia tão cinza e sem graça naquele momento. Éramos todos amigos desde a adolescência, e agora, que Eliza, a mais nova tinha pelo menos 70 anos, acompanhávamos um de nós morrer lentamente, definhando por causa de um câncer. Era doloroso perceber como iríamos ter passar por aquilo com cada vez mais frequência. Gabriel estava deitado na cama, mais magro que nunca, muito pálido, seus poucos cabelos, já grisalhos, murchos em volta da cabeça. Na cabeceira da cama muitos remédios e livros. Estávamos os outros três, eu, Liza e Eliza, sentados em volta da sua cama, fazendo companhia á ele e distraindo-o. Não tínhamos mais muito o que falar, não conseguíamos mais tirar muitas forças pra forjar alegria vendo um dos nossos grandes amigos indo embora aos poucos. Ele então quebrou o silêncio com uma pergunta perturbadora:
-O que vocês queriam que te acontecessem após a morte?
Nos entreolhamos de forma tensa. Ninguém queria continuar tal assunto naquela situação
-Vamos, me respondam, ou quando eu morrer, volto pra saber a resposta!- Falou Gabriel, divertido como sempre fora. Todos rimos brevemente, até Gabriel começar um ataque de tosse.
Liza então falou:
-Bom, eu queria voltar a ter 20 anos, e reencontrar meus pais,sei lá, encontrar os beatles, dar um beijo no John!
-Não sei se pode beijar no céu, se é que você vai pra lá!- Falei entre risos de todos- Bom, eu queria só descansar, tomar um solzinho, fumar um baseado, e pelo menos ter meus dentes e meu cabelo de volta.
-Eu acho que eu ia querer voltar como outra pessoa, não sei, talvez me tornasse alguém melhor.- Disse Eliza.
Gabriel segurou a mão dela, esboçando um sorriso fraco. Todos nos olhamos de novo, esperando quem criaria coragem pra falar primeiro. Eu não aguentei a tensão, e perguntei:
-E você Gabriel?
Ele olhou pela janela, mexeu o nariz como fazia sempre, uma espécie de tique, e olhando pra cima falou:
-Eu não sei o que vai me acontecer, e não me importa, porque eu vou esperar por vocês, e eu sei que vai valer a pena simplesmente se vocês estiverem lá, comigo...
Nesse momento, ele olhou pra cada um de nós e uma lágrima desceu de cada olho, no exato momento que a luz deixava os olhos dele.

domingo, 18 de julho de 2010

Em silêncio


Quando o silêncio não mais incomodar,
saberá que apenas a sua presença basta.
Estar no mesmo espaço,
respirar o mesmo ar
é como um canto divino

Quando o silêncio puder dizer
coisas que achava que só se diziam em palavras
é porque já não mais se fala pela boca
o que pode ser dito pela alma

O silêncio, para alguns perturbador
Pode quebrar-se com um olhar
e a língua é só um complemento
do beijo, do canto, do ardor
A palavra então, é pura vaidade
do poeta que declama o seu amor

terça-feira, 13 de julho de 2010

This is (NOT) Sparta...









...mas tão conhecido quanto é Spartacus, o escravo, que arrancado de sua vila destruída e dos braços de sua mulher, é levado como escravo para Roma, onde sobrevive a uma luta contra quatro homens na arena, e é comprado como gladiador, se tornando uma lenda nas arenas e em seguida o líder da mais famosa rebelião de escravos de Roma.
A série foi lançada em janeiro pelo canal americano Starz, e será exibido pelo Globosat HD no Brasil. A história, imortalizada em livros e filmes, agora se torna sucesso como série, tomando outros sucessos como referência, tais quais 300, Kill Bill, Sin City, entre outros viscerais filmes de ação, a série tinha tudo para pecar pelo exagero. Violência demais, sangue, sexo, efeitos de computador demais. Porém o enredo e roteiro incriveis fazem isso tudo se tornar secundário, envolvendo quem assiste na rede obscura de tramas e maldades de todos os personagens, que não possuem nenhuma ou muito poucas virtudes, mas ainda assim te fazem torcer pra que os mais vis se deêm bem nos seus planos e armações muito bem amarrados.



Roma é muito bem retratada, apesar de ser usada uma linguagem mais atualizada, e nos faz ver como pouco mudou de dois mil anos para cá. A política continua o mesmo jogo de intrigas e vale-tudo, as pessoas continuam querendo sangue,e a maior diversão delas é ver outras pessoas digladiando (quem não viu e achou o máximo o vídeo da mulher brigando com a amiga, em Sorocaba, por causa do marido?)e a política de pão e circo é tão eficaz hoje quanto foi naquela época (Copa do mundo lembra alguma coisa?).
Enfim, um seriado que recomendo, e que apesar de ter muitas cenas de luta e sexo, não deixa de lado a inteligência e a sagacidade. A primeira temporada tem 13 capítulos, e a segunda temporada é prevista para 2011.

Trailer promocional da série:

domingo, 11 de julho de 2010

Eu, música


Queria ser música. Sim, concretizado numa partitura, fluindo no ar, mais democrático que qualquer coisa. Queria ser só melodia, ser cantado pelos assovios, dando direito a cada um escrever a letra que desejasse. Uma hora seria clássica, na outra rock'n roll. Libertado por um violão, uma flauta, quem sabe um pandeiro, ou simplesmente um batuque em um objeto qualquer.
Seria a demonstração de momentos alegres, a homenagem, o luto, a descontração, ou simplesmente a distração em um banho, ou na fila do supermercado, rindo do incômodo encontro de estranhos em um elevador.
Nasceria e renasceria de um sopro, e morreria tão rápido quanto o correr do vento. Jamais seria igual, em minhas infinitas versões, e quando prestes a ser esquecido, renasceria, renovado, pronto a acalentar novos corações, penetrar em cada ser, não somente pelos ouvidos, mas por cada poro, cada célula, cada lugar passível de sentir a minha vibração.
Enfim seria imortal, porque a música sempre se transforma, jamais morre.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

A morte


Na rua escura, de uma noite escura
em um imponente automóvel
paro em uma luminosa sinaleira
e de longe a morte me encara
E a morte é escura
A morte é feia
A morte morre de fome e de frio
A morte veste farrapos
A morte rasga minha carne
A morte trinca meus dentes
A morte invade minha mente
A morte é repulsiva
A morte me faz repulsivo
A morte muda meus pensamentos
A morte mata para sobreviver
e foge para não morrer
A morte me faz culpado
e faz pensamentos de morte invadirem minha mente
A luminosa sinaleira antes vermelha se torna verde
como se desipnotizasse-me
Sigo meu caminho
E volto a sentir-me imortal

quarta-feira, 30 de junho de 2010

"São os pés firmes no chão que começam todo o salto..."

Essa é a mais nova propaganda da marca Johnnie Walker veiculada no Brasil. Sou fã das suas propagandas e essa, mais uma vez, não deixou a desejar.




Outras propagandas interessantes do Johnnie Walker: